domingo, 28 de agosto de 2016

O espaço da ‘Festa do Avante! ‘

O espaço da ‘Festa do Avante! ‘ aumentou graças às contribuições de militantes e amigos e não de favores do Estado ou de grupos económico-financeiros, assim enalteceu o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
E sem querer defender a ‘minha dama’, que não é minha, mas que poderia muito bem ser, é de louvar o estoicismo partidário de um partido que muitos ‘democráticos’ apelidam de antidemocrático.
É que antidemocráticos ou ‘democráticos’ têm sido os continuados roubos na Banca, as corrupções ao mais alto nível, as ladroeiras parcerias, e outras tais que têm levado o país à bancarrota, dando ares de alto nível vivencial, quando deveríamos, devido a tanta malandragem, viver como uns mendigos, pedindo esmola nas esquinas de uma qualquer rua.


José Amaral

Paga-se para ter filhos e é grátis para os matar?

Acabei de ler em gordas letras que ‘solteiras poderão ter de pagar inseminação artificial’ no SNS.
E o aborto não paga?
Será que a nossa natalidade é ultra superior em relação aos nascimentos em outras paragens do globo?
Num país tão humanista, que deu ‘novos mundos ao mundo’, que tem leis ´sábias’, elaboradas por mentes superiores, será natural e humanamente admissível que se pague para nascer e seja grátis para matar?


José Amaral

Como se acabar de vez com os incêndios

Em primeiro lugar todos os poderes do país têm de exercer a sua acção contra os incêndios na PREVENÇÃO, em vez da dispendiosa ACÇÃO quando já tudo arde ou ardeu.
As mentes prodigiosas que estão em todas as escadas do poder já se deram conta dos milhões de euros gastos, das consumições levadas ao extremo da vida humana, que muitas das vezes até levam à morte de seres entregues a tão dantesco destino?
Pois bem, a partir de agora que sejam destinadas verbas iguais às últimas gastas na ingrata é cíclica ACÇÃO, pondo-as ao serviço da PREVENÇÃO, com bombeiros, militares, aviões, helicópteros e toda a panóplia de outros meios, em constante vigilância.
Verão que assim poupam-se os haveres naturais, patrimoniais e salvam-se vidas, tornando a nossa Terra mais verde e respirável.

José Amaral


Insondável


Não vale a pena denunciar as mentiras de Trump. Não vale a pena salientar as incoerências do personagem. Não vale a pena evidenciar a vacuidade do seu pensamento. Não vale a pena lamentar o mal que, com toda a certeza, munido daquelas ideias e ideais, se fartou de semear no mundo que lhe foi emprestado (e não dado, nem vendido) para dele usufruir em condições de igualdade com todos os outros. Nada disso vale a pena porque, se o fizermos, nada de novo estaremos a trazer ao mundo, nem estaremos a dizer o que alguém ainda ignora. Valerá a pena, isso sim, questionarmo-nos sobre as razões que levam um partido com poderes de representação de um povo grandioso a aceitar a nomeação de tal figurão como candidato a presidente da maior potência terrestre. A mente humana, na realidade, é absolutamente insondável.

sábado, 27 de agosto de 2016

Alice no país das armadilhas





Alice no país das armadilhas


*Cristiane Lisita
Resultado de imagem para alice no pais das maravilhas preto e branco




           Alice no país das maravilhas é um clássico da literatura, escrito por Lewis Carroll, que narra a fábula da menina Alice que deitada sobre a relva, e inquieta, vê o coelho branco falante, aflito com as horas no relógio, se penitenciando: “eu sou uma fraude”.  Intrigada, ela o segue e se precipita no buraco da toca dele. Depara-se, então, com um lugar povoado por criaturas alegóricas e antropomórficas. Diante de um salão redondo e repleto de portas fechadas espia pela fresta da fechadura, que revela um jardim. Vê sobre a mesa a chave e um líquido. Bebendo-o ela encolhe e passa pela pequena porta, mas se esquece de que a chave ficara do outro lado.

Certamente como Alice, outra ‘Alice’, na sua jornada, se deixou ingenuamente guiar por seus sonhos. Ao adentrar o jardim do ‘Basalto’ é que ‘Alice’ realmente toma conhecimento dos indivíduos que habitam e querem comandar aquele país, e das situações inexoráveis advindas dos mexericos da despeitada Lagarta Aéssia, cachimbando narguilé, nas suas conversas e conselhos sediciosos. O Rato Ditanaro e as aves de rapina: Abastácia, Zérra, Surtey, Jucácá, Meigrelles (de prontidão) e outras tão terríveis a voar, que a menina não quisera amedrontar a gatinha, ao relatar suas histórias. Miguel, o Lagarto acostumado a receber ordens, imaginando Marcélia, a Lebre de Março, no seu chá eterno, na preocupação com a manteiga, fielmente escoltada pelo Chapeleiro Maluco, nas suas charadas, e, na companhia, ainda, do Caxinguelê dorminhoco.  Dudunha, a Rainha de Copas, partidária e atroz, sempre exigindo cortar a cabeça de qualquer um e por qualquer motivo.

Alice se defronta com um terreno demarcado como um tabuleiro de xadrez, cheio de provações mascaradas do jogo. Essa literatura de travessia, na qual são evidenciadas as criaturas mais esdrúxulas e as situações mais questionadoras, se adapta perfeitamente aos homens de nosso tempo. Trazendóvisky, naTribuna máxima, agindo de acordo com um dos passatempos de Dudunha, a rainha de Copas, que, além de requisitar execuções, gosta de croquet, No País das Maravilhas as bolas são ouriços vivos e os tacos são flamingos. A finalidade da regra seria que os flamingos acertassem as bolas, ou seja, os ouriços.

Contudo, Alice do país das maravilhas chega à mesma conclusão que ‘Alice’ do país das armadilhas, ao considerar o fato de que os flamingos (pernaltas, peraltas e de bico grande curvado) podem se voltar contra os jogadores. Os tais delatores. Igualmente pela tendência dos ouriços de sair pulando, esperando não serem acertados ou escaparem de alguma Lava Jato. Quando se sente ameaçado, o ouriço-cacheiro (do poder) enrola-se sobre si próprio, ocultando as partes desprotegidas do seu corpo, transformando-se numa bola espinhosa bastante complicada de penetrar. Assim, fogem os ouriços diante da iminência de serem evidenciados seus parasitas e suas patologias. 

Os soldados serviçais da rainha Dudunha funcionam como arcos encaixados no campo do jogo, nas terras do croquet. Mas têm que parar de serem arcos cada vez que a rainha requisita uma execução a fim de arrastar a vítima até um lugar distante, de modo que, no fim do jogo, nessa história, os únicos jogadores que sobram são: a própria rainha Dudunha, junto com o rei (Globo) de ouro e Alice, para ser sacrificada naquele reich tirano. É por isso que o coelho branco, Mouro, insiste em manter ‘Alice’ no mundo subterrâneo das injúrias: quer ajudar a rainha a acusá-la de ter comido uma fatia do bolo. Aliás, recorde-se que a maior notoriedade do croquet foi sua única participação como modalidade olímpica durante os Jogos de 1900, em Paris. No país das armadilhas, coincidente com as Olimpíadas de 2016, o croquet se revela numa intensa modalidade dos bastidores políticos.

Maliciano, o rei de Copas, pastor pernicioso, silenciosamente perdoa muitas ovelhas condenadas quando a rainha não está olhando (quer mostrar sua imensa compaixão diante das coletas que recebe) e seus soldados humorizam, contudo, não obedecem as ordens. Ele sempre repete: “Se Dudunha é malvado, é meu malvado favorito”. Novamente a rainha sentencia ‘Alice’, agora, por defender Lulalá, o valete de copas ou o valente guerreiro, e abona uma visão conveniente da justiça: “sentença antes do veredito”. Submergida nesse mundo, em algum momento há um diálogo, no cume de uma árvore, entre Alice e o gato da Duquesa que ela salvara:

   Alice - "Você pode me ajudar?"
   Gato - "Sim, pois não."
               Alice - "Para onde vai essa estrada?"
               Gato - "Para onde você quer ir?"
               Alice - "Eu não sei, eu estou perdida”.
               Gato - "Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”.

Lewis Carroll já teria tido uma antevisão escrevendo em Alice no país das maravilhas: “Vejam só, tantas coisas estranhas tinham acontecido ultimamente que Alice começara a pensar que muito poucas coisas eram na verdade realmente impossíveis.” A Duquesa avisara acerca da criptografia: “Você não sabe muito, Alice. Isto é um fato”. Assim, todas as criaturas temem a rainha de Copas no país das maravilhas, exceto Alice, além da ‘Alice’ do país das armadilhas. Ambas sabem o caminho de retorno pra ‘casa’. ‘Alice’, essa segunda, volta na sua humildade, não precisa da chave que permanecera do outro lado da porta. Afinal, a primeira Alice havia ensinado: “Vocês não passam de um baralho de cartas!”


*Cristiane Lisita é jornalista, advogada, escritora. Pós-PhD pela Universidade de Coimbra.






A nossa Quina

Quina, a carteirista mais velha de Portugal, no dia do seu aniversário – 24/8 –, fazendo 86 anos, foi mais uma vez apanhada com a boca na botija, digo, com a mão no bolso alheio.
Penso que, para se acabar com tanto continuado ‘flagrante de litro’, os nossos zelosos políticos, mormente aqueles que têm subvenções vitalícias, deveriam agregar a zelosa Quina à mesma situação gamelista em que tais gosmas estão.
A Bem da Nação e de tanto ladrão.

José Amaral


Já fiz uma abordagem

Já fiz uma abordagem, acerca das ‘cultas’ pessoas que instadas a dizer o que fazem, elas assim respondem: ‘não faço nada! Compro tudo feito’, com se tal afirmação fosse tida como uma mais-valia para o enriquecimento pátrio e um caso de extrema honradez.
Entretanto, ouço outros ou idênticos ‘cultos’ cidadãos dizerem que os de cima roubam tudo, como se esses cidadãos de baixo, se pudessem, faziam exactamente o mesmo.
A tal exemplo, aqui vos deixo com o diálogo que ouvi, aquando de um velório e enterro.
- Então pá, estás de férias?
- Não, não estou! Já estou reformado.
- Já, como assim?
- Aos 55 anos meti baixa e estive nessa situação durante três anos, pois tive um médico amigo que me pôs nessa situação; e de seguida fui dois anos para o fundo de desemprego, para, de seguida, meter os papéis para a reforma. Durante todo esse tempo foi sempre a meter dinheiro no bolso.
Ó Portugal, Portugal! A ladroagem tomou conta de ti a todos os níveis sociais.


José Amaral

O país à beira da loucura colectiva

O país e suas gentes – as de cima, as do meio e as debaixo – estão a caminho da loucura colectiva. Ninguém se entende e, se se entende, é porque foram devidamente ‘untadas’, isto é, fizeram-lhes um agrado para não fazerem mais ‘ondas’.
É pois uma paz podre rumo à putrefacção.
Assim, tomando por exemplo as parangonas jornalísticas de ‘Médicos recusam dezenas de vagas no Interior e no Algarve’, o que se poderá daqui retirar, algum altruísmo ou ética? Claro que não!
A Saúde e não só, hoje em dia, são vistos como negócios muito lucrativos, e apenas isso.
E também pergunto: qual terá sido o juramento solene destes médicos, que só se preocupam em desempenhar as funções em lugares melhor remunerados e junto à suas moradas? O de Hipócrates não terá sido! Não terá sido o de Hipócritas? Talvez.
Assim, perante tão ‘salutar’ recusa, o Ministério da Saúde deverá disponibilizar-lhes alojamento em hotéis bem estrelados, e o atendimento de doentes ser feito junto à piscina.


José Amaral

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

DOIS CRIMES



Os maiores crimes da história da humanidade, foram sempre perpetrados não por simples bandidos ou meras associações deles, mas, por Estados. E, com exceção do holocausto nazi, ficaram sempre impunes. Por exemplo, o ataque com bombas atómicas às cidades de Hiroxima e Nagasáqui quando a Alemanha nazi já se tinha rendido há 2 meses e o Japão prestes a seguir-lhe o exemplo, a invasão e destruição do Iraque com o falso pretexto de que possuía armas de destruição massiva, o assassinato de Kadafi e a implosão da Líbia,a actual destruição da Síria, e tantos outros. Mas o que nos interessa agora, é o crime da Guerra do Balcãs. O pretexto que levou aos intensos e prolongados bombardeamentos de Belgrado pela NATO , que incluíram a RTS,a televisão sérvia, matando dezenas de jornalistas e até a embaixada da China. Que levou ao desmembramento da Jugoslávia, país fundador e com um importante papel no Movimento Dos Não Alinhados, que levou à criação do protetorado do Kosovo e à instigação de conflitos étnicos com milhares de mortos em vários massacres. Pois bem, o grande pretexto, desta vez, foi Milosevic. Slobodan Milosevic. Lembram-se? A NATO,e a denominada Comunidade Internacional, comparou-o a Hitler, chamou-lhe o Carniceiro dos Balcãs. Um monstro! Perseguiram-no e prenderam-no. Acabou por morrer na prisão. Uma morte “estranhíssima”, depois de se bater até ao limite, pela sua inocência,o que, agora, passados todos estes anos, é o próprio Tribunal Penal Internacional a reconhecê-lo.
Está tudo escarrapachado, muito mais ao pormenor, nas páginas da edição de 18.8.16 do jornal Avante. Estão lá as fontes. Mas será mentira? Desmintam-no, ou processem o seu diretor. Claro que não o fazem, porque é verdade.
Ainda me lembrei de colocar como título: Os Grandes Criminosos Impunes. Mas como se trata de dois crimes, o propriamente dito, e o do silenciamento que a generalidade dos media dele fazem, emendei, e coloquei o que consta.
Francisco Ramalho
Corroios, 26 de Agosto de 2016


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Segundo se apurou

Segundo se apurou, Catarina Martins terá desabafado – não se sabendo ao certo em que contexto –, que ‘todos os dias se arrependia de pertencer à geringonça’.
A ser verdade o que dizem que disse, não o deveria ter dito, pois pôs-se a jeito da maralha política e afins que tal geringonça hostilizam, uma vez que foi a geringonça que tais gentes apeou das escadas do poder e de todas as más decisões atrás tomadas, virando a sociedade às avessas.
Há coisas que não se devem dizer, mesmo que essas sejam aquilo que se pensa, pois são nas más horas que se conhecem quem está do nosso lado, uma vez que nas boas todos estão connosco.


José Amaral

A crise moral e os impostos





A crise moral e os impostos

*Cristiane Lisita




Resultado de imagem para jogar pedra na vidraça


 
“A mesma mão que afaga é a mesma que apedreja”, escrevera o poeta Augusto dos Anjos. A crise econômica, política e institucional que se descortina sob o céu de Portugal se ampara na ausência de certos padrões éticos e morais, pilares de qualquer sociedade. A mesma mão do governo que afaga nos pleitos eleitorais é a mesma mão que ameaça soçobrar todos os alvedrios, toda a dignidade da classe média e dos pobres num crepúsculo durável. O que deve resistir a todas as crises é o ideal de justiça e de equidade, um combate infindável à extrapolação de valores.

Este não é um país pobre, mas de uma maioria de pobres, cujo governo os toma como um número a mais. Também é uma terra de alguns poucos milionários. A concentração de renda tem aumentado nos últimos anos na zona do euro, e, sobretudo, nesse país cujos ricos se restringem a 1% da população que detém mais de 20% da riqueza total.  A classe média nacional ainda não tem uma definição plausível para classificá-la. De acordo com o INE, dados de Dezembro de 2015, a média do rendimento anual situava-se em cerca de 8.430 euros. Lembre-se de que grande parte da população não chega a pagar o IRS porque seus salários não atingem o patamar para cobrança da alíquota. A expectativa da devolução da sobretaxa do IRS em 2016 também foi frustrada.

No entanto, não faltam impostos a pagar. A Contribuição Extraordinária de Solidariedade implantada pela Lei n.º 55-A/2010, incidindo sobre pensões, subvenções e prestações pecuniárias de idêntica natureza cujo valor mensal fosse superior a 5000 euros, teria por pressuposto a tributação em 10% referente ao montante que viesse a exceder o patamar dos 5000€. Regra que excluiu os diplomatas e os magistrados reformados que não tiveram redução salarial. Mas o Tribunal Constitucional os incluiu qualquer funcionário público, a ter direito a subsidio de férias. São dois pesos e duas medidas.

Ressalte-se que o IVA talvez seja o imposto menos ‘desigual’, uma vez que qualquer camada social irá pagar sobre o que consome, ou seja, a ideia protagonizada é de que quem gasta mais, adquirindo mais produtos do mercado, seguramente, pagaria mais impostos. O que nem sempre pode ser considerado teorema absoluto porque o rico costuma ‘economizar’ mais que a classe média, proporcionalmente. Essa última, quando lhe sobra alguns trocados busca a poupança ou pequenas aplicações nos bancos, contribuindo com mais imposto camuflado pelo Banco Central.

O país dos católicos transformou-se no país dos impostos apostólicos. A mão pesada do governo na sua missão de angariar fundos não perdoa nem mesmo os padres. Não lhes beijam mais as mãos, mas as exigem para a palmatória. Apesar da Concordata, solenizada em 2004, definindo que as dioceses e jurisdições religiosas "estão isentas de qualquer imposto ou contribuição geral, regional ou local sobre os lugares de culto", a autoridade Tributária e Aduaneira não perdeu tempo e lançou cobranças acerca do Imposto Municipal sobre Imóveis em inúmeras paróquias e dioceses do país, desrespeitando o acordo internacional com a ‘Santa Sé’.

Não bastasse, outras propostas circulam e devem ser definidas até 2019, recomendando a reintrodução do imposto sucessório para heranças que ultrapassem a casa de um milhão de euros. Primeiro, pode-se contar rapidamente os cidadãos que possuem essa quantia disponível relativamente ao seu patrimônio. Segundo, tal cobrança jamais reduziria as desigualdades latentes e a exclusão social de uma determinada parcela da sociedade, sobretudo daqueles que possuem em mísero pedaço de chão pra plantar suas batatas. As disparidades continuam a crescer.

A propósito, a taxa de tributação atinge o patamar de 56,5% para contribuintes que apresentem rendimentos coletáveis superiores aos 250 mil euros, sendo 54% acima de 80 mil euros. O que isto significa? Além de mandar a classe média às favas, quer se assegurar que esses contribuintes de patamares mais elevados peguem seus rendimentos e os remetam para o exterior onde poderão pagar reduzidos impostos. Como é possível um país que apresente um dos menores salários mínimos da Europa tenha uma das mais acentuadas taxas de imposto dentro da OCDE, equiparando-se a países como a Holanda, por exemplo?

Anote-se, ainda, sobre o BCE no programa de compra de ativos, cujas taxas de juros devem permanecer nos níveis atuais ou mais reduzidos possivelmente até primeiro trimestre de 2017. Se por um lado, enseja um ânimo para investidores das Bolsas, por outro, a inflação excessivamente baixa na zona do euro denuncia a precariedade do consumo, gerando clima de instabilidade por parte desses investidores de capital de maior risco, diante das dívidas públicas e privadas. De tal modo, pra quem sobra pagar as dívidas?

No momento atual salda-se imposto de transmissão de bens pós-morte, na tabela de 10% sobre o valor geral, isentando-se os descendentes imediatos, ou seja, os filhos, e igualmente cônjuge e pais. A propalada taxa sucessória em estudo subiria até o valor de 28% como uma espécie de taxa única. Que nunca será única uma vez que se prossegue pagando outros impostos e taxas sobre a mesma propriedade de bens imóveis, e outros, como carros, cujos encargos foram elevados. Essa taxa, depois de uma década, quer ser ressuscitada. Fato esse que induziu inúmeros cidadãos a anteciparem a transmissão desses bens, em vida, buscando se evadirem de mais essa tributação sobre patrimônios milionários.

Não satisfeito, o governo deu seu toque de Midas no Imposto Municipal sobre Imóveis. Ter uma casa voltada para uma boa exposição solar, e vista satisfatória não é mais pra qualquer um. Aliás, nunca foi. Mas a situação piorou. O IMI pode ser agravado na alíquota de 20%, com os novos cálculos, para o proprietário que possua ou usufrua dessas benesses com seu bem imóvel voltado para a faixada sul.

Decidiu-se que as casas orientadas para o norte deverão pagar menos impostos. Espera-se a chegada de pai Noel, com suas renas, pela chaminé? Por que tanto menosprezo à capacidade de entendimento do povo? Durante os quatro meses de inverno e mais os outros de chuva certamente a luminosidade das casas para o norte será mais reduzida, e diminuída, igualmente, a exposição ao calor do sol. Classe média e pobre pagarão mais outros impostos e taxas. Vão consumir mais energia elétrica. Vão consumir mais gás para se aquecerem. Depois de um dia sofrido de trabalho é proibido imaginar uma casa com varanda que tenha vista, ou o ar fresco de certo verde parque. A meta é esquecer os sonhos como as moedinhas deslembradas no fundo do bolso. Ouvir as velhas carpideiras disseminando pessimismo.

Assim, esse povo quer partir. Foram mais de 700.000 mil  nos últimos quatro anos que emigraram. Não conseguem sequer emprego. Pressionam essas pessoas até que não acreditem em mais nada. Os lavradores guardam sua terrinha pra quem sabe um dia a situação mudar. Outros, pedintes, desfilam pelas ruas da bela capital, pelos metros, no meio dos turistas, em busca da mão que possa lhes dar o pão do dia. A classe média se envereda para dívidas, ou, quando muito, retrai seu padrão de vida. Imposto e novamente imposto, burocracia desmedida, falta de respeito com essa gente trabalhadora tratada com cabresto. Não se sabe se “o sal não salga ou se a terra não se deixa salgar”.

Aquele 1% da população certamente tem nesse solo suas casas com faixadas retornadas para o sul, mas seus horizontes são mais ao norte da Europa, pois é noutros sítios que vão gastar ou investir seu dinheiro embolsado daqueles que consomem das suas fábricas, ou dos seus agronegócios, ou outros business. A crise moral que permeia a sociedade é a que reflete desigualmente os desiguais. A crise moral que ora se revela é como aquela cantada em versos por Augusto dos Anjos cuja utopia parece desvanecer-se entre a mão que afaga e a mão que apedreja.

Parafraseando: “Vês! Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão - esta pantera -Foi tua companheira inseparável! (...) O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!”.

*Cristiane Lisita
(jornalista, escritora, advogada)





quarta-feira, 24 de agosto de 2016

DEUS, QUERO UMA GAJA!

Deus,
quero uma gaja
Deus,
eu mereço
passo a vida a escrever
a puxar pela cabeça
a produzir filosofia
a elevar a humanidade
Deus,
vejo tantos gajos idiotas
com gaja
gajos mesmo broncos
cheios de cacau
Deus,
eu crio
eu sou filho de Dionisos
eu mereço a mulher bela.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Rescaldo das últimas olimpíadas

Acerca do que alguns olímpicos portugueses afirmaram - após não terem obtido um lugar no pódio dos deuses na Terra, de que se tivessem as mesmas condições dos atletas de outras nações em compita, outro galo lhes cantaria -, vimos muito respeitosamente alertá-los e questioná-los para o seguinte ponto: que melhores condições tiveram, por exemplo, Carlos Lopes e Rosa Mota?
Em relação a Telma Monteiro, uma das atletas lusas mais tenazes e estóicas que conhecemos, ela afirmou que ‘a minha força veio dos obstáculos que venci e de todos os que em mim acreditavam’. E mais acrescentou: ‘também sou forte e determinada fora dos tapetes’.
Finalizando, só vos pedimos, atletas do meu país, não deitem culpas a ninguém quando fracassais, mas, cumprindo, isso sim, os três valores fundamentais do espírito olímpico: RESPEITO, AMIZADE e EXCELÊNCIA.


José Amaral

O sector empresarial

O sector empresarial dos luciféricos neros vai no seu máximo esplendor, com fogos por tudo que possa arder.
A sua cotação em bolsa já vai para além das profundezas dos infernais e dantescos incêndios, que atingiu o auge como nunca ante acontecera.
Os olhos de tais faiscantes empresários brilham como linces no meio das cinzas, enquanto seus cofres se enchem de milhões, em igual quantidade das lágrimas vertidas por todos os infelizes que viram arder todos os seus pertences.
É tal o falatório nos meios da comunicação social, que muita ‘boa gente’ quer entrar em tal negócio.
Portanto, para o ano haverá mais, pois este ano o ‘negócio’ está a poucos dias de encerrar para balanço.


José Amaral

O governo iraquiano

O governo iraquiano diz que foi um acidente racista aquilo que se passou com os gémeos do embaixador do Iraque, em Portugal, com 17 anos de idade, quando em Ponte do Sor ‘mandaram' para o hospital um jovem português de 15 anos, ficando este muito maltratado e em estado de coma induzido.
A imunidade consular dos filhos do embaixador permite-lhes ultrapassar o que causaram, sem serem punidos por lei, uma vez que afirmam ter agido em legítima defesa.
Podem conduzir como quiserem, com qualquer idade e, certamente, até a lei lhes confere atirar o veículo contra pessoas e cilindrá-las, que tudo é normal na conduta cívica iraquiana.
É esta a lei da imunidade, a lei que os políticos legislaram e implementaram a seu favor, pondo-os acima de qualquer suspeita, ou punição.


José Amaral