quinta-feira, 27 de julho de 2017

Desabafo (im)pertinente

Aqui venho depois de ter comentado, em jeito diverso, três textos de companheiros de escrita neste blogue. E porque dei por mim a ver e a estranhar que a "coluna da esquerda", a do número de comentários, esteja cheia de zeros quando, por vezes, a da direita está "pletórica" de visualizações.
Dir-me-ão que não me "meta onde não sou chamado", que me deixe de considerações espúrias e outros "mimos", mas confesso a minha estranheza já que um blogue é, por natureza. um local de discussão. Concordando, discordando, brincando, falando sério, enfim... discutindo. Em jeito de rodapé, só mais uma coisa: porque será que há autores de "post", depois deste desencadear imensos comentários, não intervêm mais, como se o assunto fosse dos outros?
Tenho consciência que entrei num "campo minado" mas desabafei com sinceridade e o mais que me pode suceder é o vosso silêncio ""piedoso" que, aqui sim, será merecido dado o teor do meu texto. Ou, vai daí, talvez este possa ser um "aguilhão", quando se prepara uma petição a solicitar mais voz para os escritores de cartas aos jornais, muitos deles também habitando este espaço de blogue.

Fernando Cardoso Rodrigues

Nefandos oportunistas

 Alguns elementos das claques da Direita, sobretudo os mais propensos a fumos e foguetes, ao mesmo tempo que se propalam isentos e independentes – que bom para eles que o ridículo não mata -  não se coíbem de apontar, nomeando-as, as pessoas da Esquerda que mais detestam, justificando a coisa com os argumentos mais sem sentido…
E eu entendo o desnorte; entendo que não gostem de quem com apenas meia-dúzia de palavras e um sorriso nos lábios consegue reduzir a “pó de peido” a algazarra destrambelhada com que os seus ídolos se propõem combater a boa governação de Esquerda.
É que ainda mal ensaiava os primeiros passos o Governo de Costa, já o outro Passos afirmava, com a certeza dos néscios, que se aquela política desse certo ele, Passos, não andava cá a fazer nada. E a sua ministra das Finanças secundava a mesma verborreia, no que não fazia mais que demonstrar que pior que uma “loira burra” é uma loira com o complexo da esperteza.
Tendo ficado demonstrado que, de facto, não andam cá a fazer nada, pelo menos de construtivo, decidiu o Coelho, em desespero de causa, fazer um pacto com o diabo; como nem este nem os gémeos satanás e belzebú cumpriram, o pobre do homem entrou em parafuso e agora, que em vez do diabo veio o inferno dos incêndios, agarra-se a eles como náufrago a um pedaço de tábua que fortuitamente lhe passe perto, muito convencido que não vai saír chamuscado com tão perigoso brinquedo…
Na sua coluna de hoje no JN, o Editor-executivo, Rafael Barbosa, põe em dúvida que da tragédia dos incêndios se vá extraír alguma lição, e passo a citar: “sobretudo quando somos confrontados com o despudor com que um ex-jota, agora líder parlamentar, e quem sabe se futuro líder do PSD, profere ultimatos revolvendo os cadáveres como se fosse um abutre, na sua busca de despojos políticos”.


Amândio G. Martins

DEIXA-ME FICAR

Deixa-me ficar
no exacto momento em que tudo acabou,
no exacto instante em que da explosão dos corpos
a eternidade nos inundou o olhar,
no exacto segundo em que fomos um átomo
no firmamento da paixão.

Deixa-me ficar,
pois enquanto acordo, saboreio,
enquanto saboreio, sinto
e enquanto sinto,
volto ao exacto instante em que,
uma simples troca de olhares,
um simples toque de pele
um sereno e subtil arrepio
mudou o meu mundo para sempre.

Deixa-me ficar assim,
que logo me darei de novo
com a urgência de uma primeira vez
bebendo a ternura das tardes longas
em que ficamos ,
entrelaçados, rumo ao amanhecer.

©Graça Costa



COM A APOSTA NA FORMAÇÃO "MADE IN" ALCOCHETE, ESTA ÉPOCA O SPORTING SERÁ CAMPEÃO

Resultado de imagem para COM A APOSTA NA FORMAÇÃO "MADE IN" ALCOCHETE, ESTA ÉPOCA O SPORTING SERÁ CAMPEÃO
A Liga NOS, referente à época de 2017/18, irá ter o seu início a partir do próximo dia 9 de Agosto, uma semana após a realização da abertura oficial da época, depois da tradicional final da Supertaça Cândido de Oliveira, que irá juntar o campeão e vencedor da Taça de Portugal, isto é o SL Benfica e o finalista vencido da Taça de Portugal, o, Vitória Sport Clube. Depois sim, iremos ter mais uma época em cheio e de grande interesse, onde mais uma vez a disputa pelo título vai ser uma vez mais disputada pelos mesmos candidatos, isto é, FC Porto, SL Benfica e Sporting CP, (peço contudo desculpa aos restantes clubes que irão disputar nesta época de 2017/18 a Liga NOS)
.as hoje quero especialmente falar do Sporting CP e dos sempre ambiciosos projectos apresentados à massa adepta do clube leonino, tanto por parte do seu presidente Bruno de Carvalho, como do seu técnico Jorge Jesus, de grande talento e de provas já dadas, por alguns clubes onde passou, especialmente e recuando ao ano de 2008 - por exemplo, o grande êxito alcançado a nível europeu pelo Sporting Clube de Braga no ano de 2008, que foi a Taça Intertoto da UEFA, quando foi comandada pelo "mago da táctica", não falando dos êxitos que obteve ao serviço do seu rival da segunda circular, o SL Benfica, onde praticamente ganhou tudo.
Convidado por de Carvalho para a época de 2015/16, onde obteve o 2º. Lugar, adiando logo nessa época um projecto ambicioso, que tanto o presidente como o próprio técnico tinham em mente. Seguiu-se a época de 2016/17, onde mais uma vez as ambições foram falhadas com a obtenção de um 3º. Lugar, mas com o direito à participação da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, a chamada liga milionária, em que o Sporting CP irá apostar em forte.
Acredito piamente, para esta época que está prestes a iniciar-se, nos planos traçados, quer pelo presidente Bruno de Carvalho, quer pelos desejos e ambições de Jorge Jesus, com a aposta na formação, e dar assim continuidade na mesma aposta nos jogadores "MADE IN" Alcochete.
Vamos ter um Sporting CP que ambiciona e que anseia vivamente pelo título que lhe foge desde da época de 2001/02.
Espero que com trabalho e dedicação de todos, equipa técnica, todo o "staff", mas em especial no renovado plantel, e unidos no mesmo objectivo, que o Sporting CP, consiga os seus objectivos que é ser campeão, para satisfação e felicidade de uma grande e dedicada massa adepta, sempre presente e fiel ao seu Sporting CP e já há muito merecedora de um título de futebol profissional, que foge há quinze anos. Vamos a aguardar, pelo trabalho sempre honesto, de todos, mas em especial de um técnico chamado Jorge Jesus, com provas já dadas ao serviços dos clubes onde passou.
(Texto-opinião, publicado na edição online, secção "Escrevem os Leitores" do
  Jornal RECORD de 26 de Julho de 2017)
MÁRIO DA SILVA JESUS


Respostas





Neste momento, é indiferente a consolidação orçamental, o défice, a dívida pública impagável; os gestores da caixa pagos a peso de ouro cuja gestão de topo é instituírem despesas e custos das contas dos seus clientes, para fazerem mais valias e apresentarem ao fim do ano rácios bonitos nas folhas de excel;  a saúde a ser delapidada; a educação que não anula uma prova de Português, que meio Portugal soube pelas redes sociais, menos eles que não têm filhos, ou não lhes ligam nenhuma; o banqueiro a que ainda dão tempo de antena; o outro que nunca mais o agarram; os outros que todos sabemos quem são e ainda andam por aí, soltos, alguns até a recandidatarem-se; o preço da electricidade que é um roubo à mão armada; a fidelização das comunicações que pelos vistos não pagam para anular as falhas de rede nos momentos, tantos, críticos; a oposição desavergonhada, culpadíssima, no jogo baixo da demagogia mais rasteira; os da geringonça, agora sim o nome a poder sido em toda a sua propriedade, também demagogos, caóticos, frouxos; o presidente a ocupar espaço, a ganhar poder, a meter-se demasiado, e todos a deixarem.
Neste momento, o que faz mesmo falta é alguém que pense bem, que resolva em vez de atirar piropos, ou de assobiar para o lado; que não vá de férias enquanto as coisas não estiverem nos eixos; que responda com respostas entendíveis e objectivas às perguntas que lhe fazem; que distribua de uma vez por todas e mostre a lista, os dinheiros e os bens que a comunidade ofereceu em solidariedade; que seja um verdadeiro líder, independentemente dos votos que venha a perder ou a ganhar pelas decisões que deve tomar, e mesmo que difíceis, têm de ser tomadas, e que os tenha no devido sítio, e que o mostre.
Queremos alguém em quem confiar, e se não houver quem demonstre e dê as respostas às questões que estão em cima do tabuleiro, então, não há mesmo ninguém confiável.
A dizermos isto, a chamar por alguém, e só se ouve o eco do nosso chamamento, até que se deixa de ouvir, e nenhuma resposta acontece.

As lições da Mariana

Coerência é uma das qualidades que mais aprecio no ser humano e por isso mesmo tento para mim próprio a perfeição pelo que ganhei o hábito de ler artigos de certos autores onde colho alguns ensinamentos. É assim que todas as terças feiras não perco no Jornal de Noticias a opinião da filha de Camilo Mortágua, a Mariana, e que quando acabo de ler o seu artigo, dou por bem empregue o tempo gasto pois permite-me tirar a ilação de fazer precisamente o inverso da matéria dada. Para ser mais explicito, e duma forma sucinta dou como exemplo o artigo de hoje "Turismo, oportunidade ou maldição?" lembrando que tanto Mariana como o tripé que segura o Governo recolhem os louros de tudo que de bom tem acontecido e endossam para os vencedores das últimas eleições, a coligação PSD/CDS, tudo que acontece de mal. E assim, sendo o sector do turismo um motor da recuperação económica e criador de emprego tornando-se numa extraordinária fonte de receitas que tanto tem ajudado, e ainda bem para o país, o equilíbrio e a recuperação económica, apesar dos inconvenientes, Mortágua lá conseguiu forma de criticar a governação PS sem deixar de nos lembrar que foi essa a prática do Governo PSD/CDS dando assim a entender que até nisto a actual governação é uma vitima apesar de .... Peço-lhe que continue a dar-me lições destas e não resisto a terminar com Vinicius de Moraes "Apavorado acordo, em treva. O LUAR / É como o espectro do meu sonho em mim / E sem destino, e louco, sou o mar / Patético, sonâmbulo e sem fim".
Jorge Morais
 
 
Publicada no DN-M de 27.07.2017
 
 
 
                                Ilustração do Leitor Paulo Pereira
 
 

 

A 27 de Julho de 1970, morre o ditador António de Oliveira Salazar

Resultado de imagem para salazar



A 27 de Julho de 1970, morre, em Lisboa, o ditador António de Oliveira Salazar, foi um estadista nacionalista português que, além de chefiar diversos ministérios, foi presidente do Conselho de Ministros e professor catedrático de Economia Política. Foi Ministro das Finanças entre 1928 a 1932 e dirigiu os destinos de Portugal como Presidente do Conselho de Ministros, entre 1932 e 1968, altura em que, por ter caído de uma cadeira e haver ficado inutilizado para o desempenho de tarefas governativas é substituído por Marcelo Caetano.
Curiosamente, no dia em que o povo tem conhecimento da sua morte, realiza-se o Exame Nacional de Português. O Texto a analisar é a cena IV do Acto III de Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett. Telmo, o fiel escudeiro de D. João de Portugal, quando este aparece vestido de Romeiro diz “Meu Deus, meu Deus, levai o velho que já não presta para nada, levai-o, por quem sois!” Claro está que o meio estudantil conotou ironicamente esta passagem textual com a morte de Salazar.

Nasceu a 28 de Abril de 1889, no Vimieiro, no Distrito de Viseu.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O fogo não pegou


A direita incendiária queria mais mortos, como se tivessem sido poucos. Muniu-se da acendalha, a lista das vítimas mortais, e riscou o fósforo. Depressa verificou que o combustível e a opinião pública comburente não estavam muito colaborantes. Ainda assim, insistiu. Armou-se em forte e marcou prazos. Afinal, a lista não lhe fez a vontade e, derrotada e apagada, proclamou que o assunto está encerrado.

Não é só o Governo que encerra assuntos.

Cristalino como água

Marcelo Rebelo de Sousa, na capa do jornal i de hoje: "Em ditadura, há 50 anos, eu lembro-me, era possível haver tragédias e nunca ninguém perceber bem quais eram os contornos porque não havia MP autónomo, juízes independentes ou comunicação social livre. Em democracia há tudo isso, e é uma riqueza. Essa é a diferença do Estado Democrático".

A funerária e seus cangalheiros

A alegada funerária e seus cangalheiros políticos pró dantesco incêndio de Pedrógão Grande, na pessoa do seu líder parlamentar Hugo Soares, já podem facturar o que bem entenderem, porque, oficialmente, através da PGR – Procuradoria-Geral da República – já têm a almejada lista das vítimas mortais.
Assim, só espero que não venham novamente ‘malhar em ferro frio’, pois seria ‘pior a emenda do que o soneto’.

José Amaral

Portugal em chamas

No campo e na política, Portugal arde a todo vapor. E o povo rural, o que ainda resta, é visto através das pantalhas televisivas tal como formigas tontas fugindo da morte certa, a qual, armada de tridente ardente, tudo lambe e devora em labaredas criminosas, as quais, todos os anos, renascem das cinzas.
Depois, os arautos da desgraça dizem-nos que tudo se deve à sempre falta de prevenção, enquanto outros afirmam que escasseiam os meios que evitem tais tragédias.
Todavia, todos os anos Portugal arde aos poucos e inexoravelmente caminhará para o seu fim, pois a culpa não é essencialmente do calor excessivo, nem dos ventos fortes, nem da falta de limpeza dos matos, mas, outrossim da mão criminosa dos luciferes que campeiam a monte, semeando a dor e o luto, sem que alguém os castigue tão duramente, como eles fazem impunemente a este ardido país em chamas, a caminho das cinzas da nossa desgraça colectiva, sem eira nem beira, onde as posses cada vez são mais escassas.

José Amaral

Explosivas

As garotas já são, fogo, quando se apresentam com decotes generosos e num passo algo gingão e sensual. Apresentam porém alguns perigos. De gangas, bem ajustadas ao corpo, elas quando desfilam à frente dos nossos arregalados olhos, parecem não permitir que ali caiba mais alguma coisa. Engano nosso. Por debaixo daquele aperto, ainda há espaço para transportar explosivos. Dizem, que tudo vai nas partes íntimas até aos estádios de futebol, para satisfazer os íntimos dos companheiros de claque clubista. E o que são partes íntimas? Coisas da alma ou de paixões nascidas do braseiro escondido que nem paiol para tal arsenal? Não. Tudo está descoberto. São zonas boas, mas de acesso difícil porque sinuoso, que só com autorização ou consentimento se lá chega. Lugar apetecido mas perigoso. Já reflectiram no acidente que pode acontecer, quando um homem mais atrevido ousar meter, não um golo, mas um simples espreitar com a cabeça curiosa ao rubro, que nem fósforo, para dentro de tais partes? Temos estouro com certeza. E também já ponderaram sobre os perigos que correm as “mulas” se acaso se der a desgraça de friccionarem as pernas, uma contra a outra, no seu passo justo, quase atrevido? Temos estouro com certeza, com danos imponderados e efeitos colaterais. É melhor nem pensar em tal coisa. Partes íntimas hoje em garotas e em estádios, são elementos que compõem claques rascas, e são artefactos de fazer de qualquer espectáculo, um ruído violento, criminoso, e com efeitos animalescos de luz, cor e fumo. Petardos são precisos, dizem eles. E elas, acedendo aos pedidos, dizem, mirando o corpo: pernas acima e peito abaixo, para que vos quero? Porém as polícias estão agora atentas, e retiram-lhes as peças excessivas, que se escondem por entre as gorduras!

Benvindo-Welcome

Haverá razões que não descortino
Daquela casa exibir um cartaz
A dizer ao mundo o que lá se faz
Encimado pelo nome “Benvindo”.

Se “Benvindo” fosse o dono daquilo
“Benvindo´s bar” talvez fosse eficaz
“Benvindo-welcome” é pouco capaz
Se pretende mostrar algum “estilo”…

Mas se o que pretende é casticismo
O que mais parece é imobilismo
E ali assim a coisa  contrasta.

Tanto que  depois de ser alertado
Que aquilo assim está errado
Disse “para quem é bacalhau basta”!...

Amândio G. Martins





Pagamos por venderem o nosso dinheiro

A banca, em 2015, cobrou mais de 3 mil milhões de euros de comissões de manutenção! Entre
2007 e 2016 aumentaram-nas 74%!
A única forma para milhões de portugueses receberem as suas pensões/reformas, assim o sistema impôs, é através dos bancos… Imagina-se, por si só, quantos milhões de euros embolsaram a vender o nosso dinheiro?… Agora, a Caixa Geral de (os nossos) Depósitos cobrará
comissões de manutenção a milhões de concidadãos. (Isentos só quem tenha a partir de 65 anos e receba até 835 euros). Clientes com pensões pequenas ou de invalidez e pré-reforma
também passam a pagar! Isto também é um contributo para o resgate à CGD pelas imparidades,
sem culpados(!). O Estado apela à poupança, o banco do Estado retira-a.
Oiço uma pobre avó, com netos a cargo, tendo uma reforma miserável de 200 euros, dizer que lhe irão cobrar 60 euros anuais… É desumanidade? É tirar o pão às crianças? É!! Há uns anos, os bancos davam-nos umas migalhas por termos o dinheiro depositado que utilizavam para o
vender, embolsando fabulosas cifras. Com a informatização, os clientes dos bancos vão fazendo parte do trabalho qua a estes competia,  sendo inqualificável ainda sermos nós a pagar por trabalhar a favor dos bancos! As comissões devem ser só por serviços prestados. Ponto.
Esta iniciativa da CGD, não por acaso, é pela calada das férias por excelência, em Agosto, onde «tudo» pára.
A CGD sendo um banco do Estado, (injectámos-lhe vários mil milhões), comporta-se como um banco privado. Devia funcionar como exemplo referencial. Estas comissões são extorsões.
Mexem-me na carteira, impunemente, sem autorização…!

Vítor Colaço Santos 



terça-feira, 25 de julho de 2017

Que violência? A propósito duma entrevista

O último número da revista LER traz uma entrevista com Rodrigo Guedes de Carvalho (RGC), a propósito do seu derradeiro livro: O Pianista de Hotel (Ed. D. Quixote). Para além das habituais considerações sobre a sua feitura e os perfis das personagens, relevo o que o também "pivot" da SIC diz sobre eufemismos e afins. No que aos primeiros concerne, manifesta a sua repulsa pelos mesmos e exemplifica com o clássico "fogo" que acha que devia ser sempre um sonoro "foda-se". Quanto aos "afins", defende que se deve banir o "violência doméstica" substituindo-o pelo "violência contra as mulheres" pois o primeiro é demasiado "querido" (sic). Confessa ainda que fez voluntariado na APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima)..
Aonde quero chegar? Sabendo bem  que, no lar, as mulheres são muito mais agredidas que os homens, mas também sabendo que a igualdade de género é uma reivindicação contemporânea, que existe violência sobre homens, que os casais homossexuais não serão todos pacíficos e que a própria lei tende, em determinadas situações, a eliminar as palavras " paternal e maternal" substituindo-a pela única !parental", pergunto-me porque razão prefere RGC o "contra as mulheres" ao "doméstica"?  Quando muito "violência no casal", ou não?

Fernando Cardoso Rodrigues